História do Estado de Goiás

Goiás é uma das 27 unidades federativas da República Federativa do Brasil. Situa-se a leste da Região Centro-Oeste, no Planalto Central brasileiro. O seu território é de 340.086 km², sendo delimitado pelos estados de Tocantins (norte), Bahia (nordeste), Mato Grosso (oeste), Mato Grosso do Sul (sudoeste), Minas Gerais (leste e sul) e pelo Distrito Federal.

A capital e maior cidade de Goiás é Goiânia, sede da Região Metropolitana de Goiânia (RMG). Outras cidades importantes quanto a aspectos econômicos, fora da região metropolitana de Goiânia, são: Anápolis, Rio Verde, Luziânia, Formosa, Itumbiara, Jataí, Porangatu, Catalão, Caldas Novas, Goianésia, Mineiros, Cristalina e Niquelândia, que também são as maiores cidades em população do interior do estado, além das cidades que compõem o Entorno de Brasília. Ao todo são 246 municípios [7].

Com 6 004 045 habitantes[3] é o estado mais populoso do Centro-Oeste e o nono mais rico do país. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás, em junho de 2011 registram-se em Goiás 4.061.613 eleitores [8].

O topônimo Goiás (anteriormente, Goyaz) tem origem na denominação de uma comunidade indígena. O termo original parece ter sido Guaiá, forma composta de Gua e , a qual significa “indivíduo igual”, “pessoas de mesma origem”. O nome Goiás, quando utilizado no meio de uma frase, dispensa o emprego de artigo, similarmente ao que acontece na designação dos estados de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais.

História

Período colonial

Os colonizadores portugueses chegaram pela primeira vez à região hoje conhecida como estado de Goiás quase um século após o descobrimento do Brasil.

A ocupação do território goiano teve início com Catarina Silva e as expedições de aventureiros (bandeirantes) provenientes da Capitania de São Paulo. Dentre esses, destacou-se Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, que no final do século XVII percorreu o território goiano em busca de jazidas de metais preciosos. De acordo com a tradição, Bartolomeu Bueno da Silva – diante da recusa dos índios em lhe informar acerca da localização das jazidas auríferas de onde retiravam material para as peças de ouro com as quais se enfeitavam – despejou aguardente num prato, ateando-lhe fogo , e ameaçando fazer o mesmo com as águas dos rios. Apavorados, os índios levaram-no imediatamente às jazidas, chamando-o “Anhanguera” (Diabo Velho ou Feiticeiro).

Igreja de Nossa Senhora do Carmo, construída em 1750, em Pirenópolis.

Essa é, obviamente, apenas uma lenda cujo conteúdo factual escapa à possibilidade de verificação. De qualquer modo, após a bandeira comandada pelo “Anhanguera”, diversas outras expedições partiram em direção a Goiás, em busca de riquezas do subsolo da região. Em 1726, o filho de Bartolomeu Bueno (Bartolomeu Bueno Filho) fundou o primeiro vilarejo goiano, o qual foi denominado Arraial da Barra. Subsequentemente, povoados passaram a multiplicar-se. A exploração do ouro atingiu o seu auge na segunda metade do século XVIII.

A colonização de Goiás deve–se também à migração de pecuaristas que partiram de São Paulo, no século XVI, em busca de melhores terras de gado. Dessa origem ainda hoje deriva vocação do estado para a pecuária.

No período em que o Brasil foi colônia de Portugal, o estado de Goiás pertencia à capitania de São Paulo. Essa situação durou até 1744, quando foi criada a Capitania Geral de Goiás.

Império

Cartaz publicitário anunciando a venda de lotes em Goiânia, à época da construção da cidade.

A partir de 1860, a lavoura e a pecuária tornaram–se as atividades principais da região, ao mesmo tempo em que a mineração do ouro entrou em decadência devido ao esgotamento das minas. A navegação a vapor e a abertura de estradas no final do século XIX, possibilitou o escoamento dos produtos cultivados no estado, permitindo o desenvolvimento da região.

República

Em 1889, com a proclamação da república, a província passou a ser o estado de Goiás.

No século XX, a construção da nova capital, Goiânia, foi muito importante para a economia do estado, que deu sinais de um novo surto de desenvolvimento com a criação de Brasília, a nova capital do Brasil, inaugurada em 1960.

Em 1988, o estado de Goiás foi dividido e sua porção norte passou a constituir o estado do Tocantins. O objetivo principal dessa divisão foi estimular o desenvolvimento da Região Norte, onde estão concentradas as maiores carências sociais e também onde ocorreram com maior frequência disputas pela posse de terras, provocadas pela concentração fundiária.

Geografia

Relevo

O estado de Goiás está localizado no Planalto central brasileiro, entre chapadas, planaltos, depressões e vales.

Há bastante variação de relevo no território goiano, onde ocorrem terrenos cristalinos sedimentares antigos, áreas de planaltos bastante trabalhadas pela erosão, bem como chapadas, apresentando características físicas de contrastes marcantes e beleza singular. As maiores altitudes localizam-se a leste e a norte, na Chapada dos Veadeiros (1.784 metros), na Serra dos Cristais (1.250 metros) e na Serra dos Pireneus (1.395 metros). As altitudes mais baixas ocorrem especialmente no oeste do estado.

 

Clima

O clima é tropical semiúmido. Basicamente, há duas estações bem definidas: a chuvosa, que vai de outubro a abril, e a seca, que vai de maio a setembro.

A média térmica é de 23 °C, e tende a subir nas regiões oeste e norte, e a diminuir nas regiões sudoeste, sul e leste. As temperaturas mais altas são registradas entre setembro e outubro, e as máximas podem chegar a até 39 °C. As temperaturas mais baixas, por sua vez, são registradas do entre maio e julho, quando as mínimas, dependendo da região , podem chegar a até 4 °C.

Vegetação

Com exceção da região do Mato Grosso Goiano, onde domina uma pequena área de floresta tropical onde existem árvores de grande porte, onde a indústria aproveita como o mogno, jequitibá e peroba, o território goiano apresenta a típica vegetação do Cerrado. Arbustos altos e árvores de galhos retorcidos de folha e casca grossas com raízes profundas formam boa parte da vegetação. Municípios como Goiânia, Anápolis, bem como diversos outros localizados no sul do estado possuem estreitas faixas de floresta Atlântica, as quais, na maioria das vezes, cobre margens de rios e grandes serras.

Ao contrário das áreas de caatinga do Nordeste brasileiro, o subsolo do cerrado apresenta água em abundância, embora o solo seja ácido, com alto teor de alumínio, e pouco fértil. Por esse motivo, na estação seca, parte das árvores perde as folhas para que suas raízes possam buscar a água presente no subsolo.

Exemplos de árvores do cerrado são: lobeira, mangabeira, pequizeiro, e de algumas plantas medicinais, como a caroba e a quineira.

Fauna

A fauna em Goiás é riquíssima, destacando-se animais de variadas espécies, como capivaras e antas, as margens de rios e riachos. Nas matas: onças, tamanduás, macacos e animais típicos do cerrado, como a ema e a seriema. Pássaros de variadas espécies enriquecem a fauna goiana, além de peixes e anfíbios nos rios e lagos espalhados em todo o estado.

Para proteger as florestas, a flora e a fauna, foram criados pelo Governo parques e reservas florestais, onde são proibidas a pesca, a derrubada das arvores e a caça.

No estado foram criados:

  • Parque Nacional das Emas – em Mineiros no sul do estado.
  • Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – nos municípios de Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante.

Hidrografia

Goiás é banhado por três bacias hidrográficas: a Bacia do rio Paraná, a Bacia do Tocantins e a Bacia do São Francisco. Os principais rios são: Paranaíba, Aporé, Araguaia, São Marcos, Corumbá, Claro, Paranã e Maranhão.

  • Lagoa Feia – Nas cachoeiras do Rio Preto, perto de Formosa.
  • Lagoa Formosa – No município de Planaltina, próximo de Brasília.
  • Lagoa Piratininga – As águas quentes, no município de Caldas Novas.
  • Lagoa dos Tigres – Suas águas vêm do Rio Água Limpa, desaguando no Rio Vermelho, no município de Britânia.
  • Lagoa Santa – No município de Itajá.
  • Lagoa Aporé – Suas águas são consideradas medicinais, com temperatura elevada e de alto teor sulfúrico.
  • Lagoa Bonita – Ou Lagoa Mestre D’Armas, perto da cidade de Planaltina.
  • Lago Azul – No município de Três Ranchos.
  • Lago do Acará – No município de Britânia (Goiás), deságua no Rio Araguaia.
  • Lago de Cachoeira Dourada – Formado pelo represamento do Rio Paranaíba para a hidrelétrica Cachoeira Dourada.
  • Lago do Iú – No município de Jussara.
  • Lago de Serra da Mesa – Nos municípios de Niquelândia, Minaçu e Uruaçu, maior lago de Goiás e do Brasil em volume de água.
  • Lago de Cana Brava – Nos municípios de Minaçu e Cavalcante.
  • Lago das Brisas – Nos municípios de Itumbiara e Buriti Alegre, formado pelo represamento da 7ª maior usina hidreletrica do Brasil, a usina de Itumbiara.

Meio ambiente

A expansão da agropecuária tem causado graves prejuízos ao cerrado goiano. As matas ciliares estão sendo destruídas e as reservas permanentes sendo desmatadas, para ceder espaço para o gado bovino e as plantações. Na região de nascentes do Rio Araguaia, a implantação de pastagens fez surgir inúmeros focos de erosão provocados pelo desmatamento, causando as voçorocas (valetas profundas causadas pela erosão), praticamente incontroláveis, que atingem o lençol freático. Algumas dessas valas chegam a medir 1,5 km de extensão, por 100 m de largura e 30 m de profundidade.

Esse quadro desolador, aliado ao assoreamento dos rios, tem feito com que Goiás enfrente sérios problemas de abastecimento de água, uma situação que se torna grave nos períodos de estiagem prolongada. A vazão das nascentes de águas, em 1999, alcançou os mais baixos níveis desde 1989, de acordo com a Secretaria do Meio Ambiente, fazendo com que o governo já pense na possibilidade de adotar racionamento de água para as cidades mais populosas, como é o caso de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis.

Economia

A composição da economia do estado de Goiás está baseada na produção agrícola, na pecuária, no comércio e nas indústrias de mineração, alimentícia, de confecções, mobiliária, metalúrgia e madeireira. Agropecuária é a atividade mais explorada no estado.

Setor primário

Agropecuária é a atividade mais explorada no estado e umas das principais responsáveis pelo rápido processo de agro – industrialização que Goiás vem experimentando. Privilegiado com terras férteis, água abundante, clima favorável e um amplo domínio na tecnologia na produção, o estado é um dos grandes exportadores de grãos, além de possuir um dos maiores rebanhos do país.

Pelo fato de sua a capital, fazer parte do eixo econômico Goiânia-Anápolis-Brasília e de estar localizada num ponto estratégico numa das maiores áreas agropecuarias do mundo, formou uma economia bastante dinâmica. A partir do final da década de 1960 uma redefinição das relações entre a agricultura e a manufatura, dando origem a um novo padrão de produção agrícola, assim a unidade do Ministério da Agricultura sediada no município de Goiânia, formou parcerias entre pecuaristas que tinham: Conhecimento, ferramentas e área para a produção de sementes melhoradas. Um dos pioneiros na produção desta denominada semente selecionada de arroz foi Adolf Schwabacher, e com a anuência da Cooperativa Rural, estas sementes eram adquiridas por seus membros ou não, dando origem a um novo modelo de produção agrícola no Estado, sendo os primórdios para a produção de sementes, resistentes a intempéries e pragas com uma excelente germinação, proporcionando um bom retorno.

Atualmente, o estado de Goiás enfrenta um grande desafio: tentar conciliar a expansão da agroindústria e da pecuária com a preservação do cerrado, considerada uma das regiões mais ricas do planeta em biodiversidade.

O rápido crescimento na agroindústria teve início no decorrer dos anos 1990 graças à adoção de uma dinâmica política de incentivos fiscais. A recente instalação de empresas alimentícias transformou Goiás em um dos principais pólos de produção de tomate.

No caso da atividade agrícola, o estado de Goiás destaca-se na produção de arroz, café, algodão, feijão, milho, soja, sorgo, trigo, cana-de-açúcar, alho e de tomate. Goiás tem a liderança na produção de grãos.

Goiás é também o segundo maior produtor de algodão em pluma, possui a quarta maior área cultivada com soja no país, além de ocupar o quinto lugar no cultivo de milho. A safra de girassol cresceu, em 1999, 476% em relação ao ano anterior, fazendo com que Goiás passasse a responder por 70% da produção nacional.

Em 1999 foram colhidas 680 mil toneladas de tomates equivalentes a 22% da safra brasileira.

A criação pecuária compreende 18,6 milhões de bovinos, 1,9 milhões de suínos, 49, 5 mil bufalinos, alem de eqüinos, asininos (jumentos, mulas e burros), ovinos e aves. Detém o 3º maior rebanho de gado bovino do país. Em Goiás, a pecuária está experimentando crescimento extraordinário, fornecendo, alem da produção do leite, outros derivados como carne, couro, lã e pele.

O estado é rico em reservas minerais. O subsolo goiano apresenta grandes variedades de minérios, que dá condições economicamente muito favoráveis. Sendo os principais minérios o níquel, manganês, calcário e o fosfato, sendo os principais municípios mineradores Niquelândia, Barro Alto e Catalão.O estado produz também água mineral, amianto, calcário, ouro, esmeralda, cianeto, manganês, nióbio e vermiculita.

Setor secundário

Em maio de 2000, o governo do estado assinou um convênio com uma empreiteira para a construção do primeiro trecho da Ferrovia Norte-Sul em território goiano. Com uma extensão de 1391 km, entre Belém e Senador Canedo, a obra representara uma expressiva economia com fretes, se comparando com o valor gasto com transporte feito por caminhões. O governo estadual também esta considerando a possibilidade de viabilizar a construção de um ramal da Leste – Oeste, na região sudoeste do estado, maior área de produção de grãos, para facilitar o escoamento da produção para os centros de consumo do Sul e Sudeste do País.

Em 2000, foi criado em Anápolis um polo farmoquímico, responsável pela produção de matérias-primas para a indústria de medicamentos, uma vez que o município já contava com um pólo farmacêutico. A instalação dos novos laboratórios farmoquímicos, composto de oito laboratórios farmacêuticos de médio e grande porte já instalados no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), contribui para a expansão do setor, um reflexo direto da aprovação da Lei dos Medicamentos Genéricos, que possibilitou aos laboratórios ampliarem sua participação no mercado interno.

O estado tem se tornado um importante pólo automotivo. Nos últimos anos o estado tem atraído a instalação de novas montadoras de automóveis no Brasil. Já possui duas montadoras instaladas – a japonesa Mitsubishi (MMC) na cidade de Catalão e a sul-coreana Hyundai (Grupo CAOA) em Anápolis. Em maio de 2011 foi assinado protocolo de intenção para a construção e instalação de uma unidade da montadora de automóveis japonesa Suzuki Motors [15].

Setor terciário

O turismo em Goiás é muito cosmopolitano, como as belezas naturais, como águas termais, locais intocados pelo homem do cerrado, grutas, cachoeiras, e temos também o turismo histórico, como em Pirenópolis e Cidade de Goiás, com seus monumentos históricos, e temos as festas tradicionais como ocorre em Pirenópolis, que é o caso das cavalhadas de Pirenópolis e a Festa do Divino de Pirenópolis.

O principal centro turístico de Goiás é Caldas Novas, pelas suas águas termais, e Caldas é o 10° ponto mais visitado no Brasil.

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